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Seletividade alimentar
A criança que só come arroz, macarrão e pão, recusa sem experimentar ou come sempre a mesma coisa. Sem forçar e sem barganha.
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Como é o acompanhamento
A primeira coisa a separar é o que ainda é fase do que deixou de ser. Recusar comida nova por um tempo faz parte do desenvolvimento e costuma passar sozinho. O que muda a conduta é o repertório que só encolhe, a recusa que se mantém por meses e a lista que parou em poucos alimentos. A avaliação junta o que a criança de fato aceita e recusa hoje, as texturas e as temperaturas que ela tolera, como e onde a refeição acontece, o histórico de amamentação e de introdução alimentar e a curva de crescimento ao longo do tempo. No mesmo movimento entram as causas clínicas que podem estar por trás da recusa, como refluxo, constipação, alergia alimentar, anemia, dificuldade de mastigação e deglutição e a questão sensorial, que na criança no espectro autista costuma ser o eixo do problema.
Medido o risco, o trabalho é ampliar o repertório, e isso não se faz com mais insistência à mesa. Forçar, barganhar a sobremesa e esconder legume no suco não ensinam a criança a comer, e costumam deixar a refeição pior do que já estava. O que se ajusta é a forma de oferecer o alimento novo, a repetição sem cobrança, a rotina e os intervalos das refeições, e a densidade nutritiva do que já é aceito, para o dia a dia não ficar descoberto enquanto a lista ainda é curta. Quando os exames mostram carência, a reposição entra junto e com data para ser reavaliada. As mudanças são poucas de cada vez e combinadas com a família, porque quem senta à mesa todos os dias é vocês. Nos retornos o que se acompanha é o repertório, o crescimento e os exames, não o quanto sobrou no prato naquele dia.
Para quem é
Essa área atende a criança que come sempre os mesmos poucos alimentos, a que recusa sem nem experimentar, a que aceita só o que é macio ou só o que é seco e a que foi reduzindo a lista com o tempo. Inclui a alimentação da criança no espectro autista, em que a seletividade costuma ter um componente sensorial e pede outra leitura. Boa parte dessas crianças está com o peso dentro do esperado, e isso não afasta o risco nutricional: seletividade e baixo peso às vezes caminham juntos e às vezes não, e é a avaliação que separa os dois.
Situações mais comuns
- Repertório parado em poucos alimentos, como arroz, macarrão e pão
- Recusa de alimentos novos sem experimentar
- Recusa de grupos inteiros de alimentos, como carnes, frutas ou legumes
- Incômodo com a textura, o cheiro ou a aparência do alimento
- Alimentação da criança com autismo (TEA)
- Risco de carência de ferro, zinco e cálcio pela alimentação restrita

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As outras frentes do consultório
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